Microcrédito cresce 25% e alcança trabalhadores informais em todo o Brasil

O microcrédito, modalidade de empréstimo voltada para pequenos empreendedores e trabalhadores informais, cresceu 25% no Brasil em 2025, alcançando um volume de R$ 18 bilhões em crédito concedido. O número de beneficiários chegou a 4,2 milhões de pessoas — muitas delas sem acesso ao sistema bancário tradicional.

O crescimento é resultado de uma combinação de fatores: a expansão de programas governamentais como o Crescer e o Pronampe, o avanço das fintechs especializadas em microcrédito e a maior conscientização dos empreendedores informais sobre as opções de crédito disponíveis.

"Antes eu não sabia que existia crédito para quem não tem CNPJ. Achava que banco era coisa para empresa grande", conta Dona Maria das Dores, 52 anos, que usa o microcrédito para comprar insumos para sua barraca de salgados em Fortaleza. "Com o empréstimo, consegui comprar uma fritadeira nova e aumentar minha produção."

As fintechs têm sido protagonistas na democratização do microcrédito. Empresas como Avante, Bcredi e Creditas desenvolveram modelos de análise de crédito que vão além do score tradicional, considerando o histórico de pagamentos de contas de água e luz, o comportamento nas redes sociais e até o tempo de operação do negócio.

"O banco tradicional olha para o passado. Nós olhamos para o potencial. Um vendedor ambulante que trabalha há dez anos no mesmo ponto tem um histórico de negócio muito mais sólido do que parece no papel", explica Thiago Lima, economista especializado em microfinanças.

O governo federal anunciou metas ambiciosas para o setor: dobrar o volume de microcrédito até 2028, com foco especial em mulheres empreendedoras e moradores de regiões mais pobres do país. Para isso, está investindo na expansão da infraestrutura de correspondentes bancários e na educação financeira dos beneficiários.

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Thiago Lima
Economista com foco em microcrédito e inclusão financeira para populações de baixa renda.